Expiação em Cristo – Calvinismo X Arminianismo

Não nos é dito por que Deus não salva toda a humanidade quando todos são igualmente indignos, considerando que o sacrifício do Calvário foi o de uma pessoa de valor infinito, amplamente suficiente para salvar todos os homens, caso Deus assim o desejasse. Mas as Escrituras nos dizem que nem todos serão salvos. No entanto, podemos dizer que a expiação, que foi elaborada a um enorme custo para o próprio Deus, é de Sua propriedade, e que Ele tem a liberdade de usá-la de qualquer modo que Ele escolher. Nenhum homem tem direito a qualquer reivindicação de qualquer parte dela. Nos é dito repetidamente que a salvação é pela graça. E a graça é favor mostrado ao que não merece, e mesmo ao que desmerece. Se alguma parte da salvação do homem fosse devida às suas próprias boas obras, então certamente haveria uma diferença entre os homens, e aqueles que respondessem à oferta graciosa, poderiam, justificadamente, apontar o dedo desdenhosamente ao perdido e dizer: “Você teve a mesma chance que eu tive. Eu aceitei, mas você recusou. Portanto, você não tem desculpa.”  Mas não. Deus organizou este sistema de tal modo que aqueles que são salvos só podem ser eternamente gratos por terem sidos salvos por Deus.

Não nos cabe questionar por que Deus faz como Ele faz, pois a Escritura declara:
Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou” (Romanos 9:20-24)
Apenas o Calvinista parece levar a sério a queda do homem. Uma avaliação apropriada da queda e da atual condição perdida do homem é o elemento ausente em grande parte do pensamento, do ensino e da pregação atuais. O Arminianismo erra seriamente ao supor que o homem tem capacidade suficiente para se voltar para Deus, bastando desejá-lo. O calvinista insiste que o homem não está apenas doente ou indisposto, ou que precisa apenas do incentivo correto, mas que ele está morto espiritualmente, e que a expiação de Cristo não faz da salvação uma possibilidade abstrata de tal forma que todo homem possa se voltar para Deus, caso queira. O calvinista sustenta que a expiação foi uma obra objetiva realizada na história, que removeu todas as barreiras legais contra aqueles a quem ela devia ser aplicada, e que seria seguida pela obra do Espírito Santo subjetivamente aplicando os méritos dessa expiação aos corações daqueles a quem foi divinamente destinada.
Chamamos novamente a atenção para um dos versos mais importantes nas Escrituras sobre a questão da salvação: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer;” (João 6:44). Outro como ele é: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.” (João 6:37). E aos cristãos de Corinto, Paulo escreveu: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2:14).
E como é que Deus conduz os eleitos ao exercício da fé? A resposta é: Na regeneração o Espírito Santo submete o coração do homem para Si, e confere ao homem uma nova natureza que ama a justiça e odeia o pecado. Ele não força o homem contra a sua vontade, mas o faz espontaneamente e de todo o coração obediente à Sua vontade. Quando o Senhor Jesus apareceu ao endurecido e perseguidor Saulo no caminho de Damasco, ele imediatamente tornou-se obediente à vontade do Senhor. “Apresentar-se-á voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder;“, disse o salmista (Salmos 110:3). Assim, Deus dá a Seu povo a vontade de vir. Esse ato da parte de Deus na natureza subconsciente da pessoa é conhecido como regeneração, ou como um novo nascimento, ou nascer de novo. Quando, assim, é dada ao homem uma nova natureza, ele reage de acordo com essa natureza, como fazem todas as criaturas de Deus. Ele, então, exerce fé e pratica as boas obras características de arrependimento tão naturalmente como a videira produz uvas. Enquanto o pecado foi o seu elemento natural, agora a santidade torna-se seu elemento natural – não de uma vez, pois ele ainda tem resquícios da velha natureza agarrados a ele, e enquanto ele permanece neste mundo, ele ainda está em um ambiente pecaminoso. Mas, como sua nova natureza está livre para expressar-se, ele cresce na justiça, se deleita em ler a Palavra de Deus, orando, e tendo comunhão com outros cristãos.
Temos então que escolher entre uma expiação de elevada eficiência, a qual é perfeitamente realizada, ou uma expiação de ampla extensão que é imperfeitamente realizada. Não podemos ter as duas. Se tivéssemos as duas, teríamos uma salvação universal. Mas o Arminiano estende a expiação tão amplamente que, no que se refere ao seu efeito real, praticamente não há qualquer valor a não ser como um exemplo de um serviço altruísta. Dr. B. B. Warfield usou uma ilustração muito simples para apresentar esta verdade. Ele disse que a expiação é como massa de pizza – quanto mais você espalha, mais fina ela torna-se. E o Arminiano, ao torná-la aplicável a todos os homens, reduz a sua eficácia a tal ponto que deixa de ser, praticamente, uma expiação em absoluto.
Além disso, por Deus ter colocado os pecados de todos os homens sobre Cristo, significa que, no que diz respeito aos perdidos, Ele estaria punindo os seus pecados duas vezes, uma em Cristo, e depois novamente neles. Certamente que seria injusto. Se Cristo pagou os seus débitos, eles estão livres, e o Espírito Santo invariavelmente os levaria à fé e ao arrependimento. Se a expiação foi verdadeiramente ilimitada (universal), isso significaria que Cristo morreu por multidões cujo destino já havia sido determinado, que já estavam no inferno no momento em que Ele sofreu. Se a expiação simplesmente anulou a sentença que havia contra o homem de modo a lhe dar uma nova chance caso ele exercesse a fé e a obediência, isso significaria que Deus o estava colocando em teste novamente como foi colocado o seu antepassado Adão. Mas esse tipo de teste foi experimentado e teve seu desfecho há muito tempo, em um ambiente muito mais favorável. Levada à sua conclusão lógica, a teoria da expiação ilimitada leva ao absurdo.
Devemos lembrar que o sofrimento de Cristo na Sua natureza humana, quando Ele permaneceu pendurado na cruz por seis horas, não foi essencialmente físico, mas mental e espiritual. Quando Ele clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste” Ele estava literalmente sofrendo as dores do inferno. Pois isso é essencialmente o que o inferno é, a separação de Deus, a separação de tudo o que é bom e desejável. Tal sofrimento está além da nossa compreensão. Mas uma vez que ele sofreu como um pessoa divina-e-humana, Seu sofrimento foi um equivalente justo por tudo aquilo que Seu povo teria que sofrer em uma eternidade no inferno.
Na verdade, o homem redimido ganha mais através da redenção em Cristo do que ele perdeu na queda de Adão. Pois na encarnação, Deus, literalmente, entrou na raça humana e tomou sobre Si a natureza humana, natureza que Cristo, em Seu corpo glorificado, manterá para sempre, e, evidentemente, Ele será o único Deus visível que veremos no céu. Pedro nos diz que agora somos “co-participantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4), e Paulo diz que somos “herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo;” (Rm 8:17). Pense nisso! Participantes da natureza divina, e co-herdeiros com Cristo! Que maior bênção poderia Deus conferir a nós? Como tal, somos superiores aos anjos, pois eles são designados na Escritura apenas como mensageiros de Deus, Seus servos.
Em última análise, o Arminiano é confrontado com exatamente o mesmo problema como qual é o Calvinista – aquele problema mais amplo a respeito do porque um Deus de infinita santidade e poder permite o pecado. No nosso atual estado de conhecimento, podemos dar apenas uma resposta parcial. Mas o Calvinista encara esse problema, reconhece a doutrina bíblica de que todos os homens tiveram sua oportunidade justa e favorável em Adão, de que Deus agora graciosamente salva alguns da raça caída, deixando os outros seguirem seu próprio e escolhido caminho pecaminoso e manifesta a Sua justiça em sua punição. Mas ao admitir o conceito de presciência, o Arminianismo não tem explicação quanto ao por que Deus intencionalmente e deliberadamente cria aqueles que Ele sabe que se perderão e que passarão a eternidade no inferno.
No entanto, no que diz respeito ao problema do mal, podemos dizer que Deus criou este mundo como uma arena em que Ele iria mostrar a Sua glória, Seus atributos maravilhosos para que todas as Suas criaturas vissem e admirassem – Seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. E aqui estamos, preocupados principalmente com a Sua justiça.
A justiça de Deus exige que a bondade seja recompensada e que o pecado seja punido. E é tão necessário que o pecado seja punido quanto é necessário que a bondade seja recompensada. Deus seria injusto se não fizesse as duas coisas. Por isso, Ele criou homens e anjos não como robôs que, automaticamente, produzissem boas obras como uma máquina produz parafusos ou latas, que não merecessem quaisquer recompensas, mas os criou como agentes morais livres, em Sua própria imagem, capazes, em Adão antes da queda, de escolherem entre o bem e o mal. Ele manifesta a Sua justiça para com aqueles que Ele propôs salvar pela graça, os recompensando pelas boas obras encontradas em Cristo, o seu Salvador, e creditadas a eles, os confirmando em santidade, e os admitindo no céu. E Ele manifesta a Sua justiça para com aqueles a quem Ele propôs deixar de lado em sua disposição pela continuidade no pecado.
Da mesma forma, se o pecado tivesse sido excluído, não poderia ter havido qualquer revelação adequada dos atributos mais gloriosos de Deus: graça, misericórdia, amor e santidade, como é apresentada em Sua redenção dos pecadores. Lembremos que os anjos no céu ganharam a salvação através de um pacto de obras, mantendo a lei de Deus. Como no caso de Adão, lhes foram prometidas certas recompensas se obedecessem. Eles obedeceram, e foram confirmados em santidade. Eles não experimentaram a salvação pela graça. Há um antigo hino que diz: “Quando eu canto a história de redenção, os anjos dobram suas asas e ouvem.” E assim será o contraste fundamental entre os homens e os anjos.

Daí a explicação de que Deus é quem permite o pecado, mas o controla e o governa para a Sua própria glória. Se o pecado tivesse sido excluído da criação, aqueles gloriosos atributos jamais poderiam ser adequadamente apresentados perante o Seu inteligente universo de homens e de anjos, e na sua maior parte, teriam permanecido para sempre escondidos nas profundezas da natureza divina.

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