Estudos na Confissão de Fé de Westminster: Dos Eternos Decretos de Deus – Parte II

João Ricardo Ferreira de França

Seção II. Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições.
Referências bíblicas: At 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.

Introdução:

A doutrina dos decretos eternos precisa ser ensinada, apoiada e estabelecida em nossos dias, pois esta verdade da palavra de Deus nos ensina a confiar apenas nas verdades claras do evangelho de Jesus Cristo.

Aqui em nossa seção temos a relação entre a presciência de Deus e o decreto. Quem vem primeiro? O decreto é baseado na presciência, ou será que a presciência está baseada  no decreto? A primeira questão fundamenta-se no pressuposto do arminianismo, aquele ensino que dá ao homem a ideia utópica do Livre-arbítrio; enquanto que na segunda questão se insere o pressuposto básico do calvinismo, que consiste no sistema de doutrina e vida onde Deus é unicamente soberano em cada faceta de nossas vidas – nós responsáveis diante dele – isso implica que Deus é que m determina tudo quanto ao futuro do homem. Qual dos dois sistemas tem apoio na Bíblia? Para termos uma resposta satisfatória a essa problemática, precisamos considerar a seção que temos diante de nós: que esta seção nos ensina?

  1. A doutrina da Onisciência de Deus em todo campo da criação.
  2. Ensina que a presciência não  consiste na base do decreto de Deus, mas o contrário é verdadeiro.
  3. Que o determinismo fatalista é falso; e que apenas o determinismo bíblico é a razão do decreto.

Vejamos:

I – A Doutrina da Onisciência de Deus

A nossa confissão de Fé declara que embora “Deus sabe tudo quanto podo ou há de acontecer” – aqui se reconhece que o Deus revelado nas Escrituras é plenamente sabedor de todas as coisas que acontecem ou podem acontecer em “todas as circunstâncias imagináveis”. O conhecimento de Deus é exaustivo, ele conhece tudo desde o sol (um estrela de quinta grandeza) até cada átomo e partícula de hidrogênio que está nosso corpo.

Essa certeza nos faz negar o teísmo aberto (o enisino de que Deus não sabe o futuro, e que aprende com o homem), pois, a Escritura nos diz que Deus nos conhece desde o ventre de nossa mãe (Salmo 139.2-4).

Todos os nossos dias estão em suas mãos e já haviam sido predeterminados por Deus (Salmo 139.14-16); ele conhece o nosso caminho (Jó 23.10). Então, a primeira verdade a ser aprendida aqui na Confissão de Fé é que Deus conhece todas as coisas.

Esse atributo os homens temem em Deus porque fala-nos que Deus está perscrutando a terra com seu olhar de fogo consumidor. Atos 15:18:  “diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos.” Deus conhece tudo a respeito do mundo que ele criou e trouxe à existência. Precisamos resgatar o conceito do atributo de onisciência de Deus neste mundo.

II – O Decreto de Deus é a base da Presciência

A nossa confissão de Fé diz que Deus não “decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura” – a doutrina da presciência fundamenta-se no decreto de Deus. E não no pré-conhecimento que Deus tem. No Antigo Testamento essa palavra não a parece! Ela não corre em passagem alguma das Santas Escrituras do Velho Testamento. A palavra que temos lá é a palavra “conhecer”, todavia, não é um mero conhecimento, implica no um conhecimento afetivo onde envolve cadência e “amor” conhecer de modo particular. (Jeremias 1.15) – e essa a primeira leitura que devemos fazer com respeito à palavra conhecer.

No Novo Testamento essa palavra é empregada como o mesmo sentido “conhecer íntima e pessoalmente com amor” é exatamente isso que Cristo declara em João 10.14. Esse é o conhecimento real que se está vinculado à ação redentiva, salvadora e liberadora de Deus como fruto do seu decreto. E a palavra conhecer em algumas passagens significa conhecer apenas ações e eventos, todavia, a palavra Presciência (1 Pedro 1.1-2) nuca carrega esse sentido.

Arthur W. Pink declara:

O fato é que “presciência” nunca é empregada nas Escrituras em relação a eventos ou ações; em lugar disso, sempre se refere a pessoas. Pessoas é que Deus declara que “de antemão conhe­ceu” (pré-conheceu), não as ações dessas pessoas. Para provar isto, citaremos agora cada uma das passagens em que se acha esta expressão ou sua equivalente (PINK, 1985, p. 47).

Várias passagens nos indicam isso, ou seja, que a presciência é resultado do decreto de Deus, onde ele conhece pessoas e não as ações delas. Como vemos em Atos 2.23; Romanos 8. 29-30. Nada ocorre sem que Deus tem primeiramente decretado, e assim, ele conhece as personagens envolvidos na realização do seu decreto.

Temos dito que a presciência não é a base do decreto, ou seja, a Bíblia não ensina que Deus previu alguma coisas como certa, e, então com base nesse conhecimento ele decidiu agir. Deus não depende da previsão do futuro para agir – porque não é isso que determina a sua vontade revelada no decreto. Um exemplo claro é Mateus 11.21-22 – Note, Deus havia previsto arrependimento e fé para Sodoma e Gomorra, no entanto, isso já mais ocorreu; e, por quê? Deus não o havia ordenado em seu decreto. Um outro exemplo é o de 1 Samuel 23.11-12; Deus previu que os inimigos de Davi poderiam prendê-lo se ele ficasse ali, e por que não aconteceu? Porque Deus não havia decretado isso.

III – O Determinismo Fatalista é falso: Deus determina todas as coisas

O determinismo fatalista diz que todas as coisas “acontecem porque tem que acontecer”, ou na linguagem da confissão “como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições”, não existe uma mente controladora por trás das ações e dos eventos. A sorte é fruto do mero acaso. Esta concepção também é equivocada. Nada acontece porque tem que acontecer sem uma mão predeterminadora.

Existe um determinismo bíblico – Deus determina todas as coisas que vai acontecer inclusive as questões que chamamos de sorte (Provérbios 16.33). O destino dos homens, são controlados e determinados pela soberania de Deus – Romanos 9.11-18, nada ocorre ao acaso e sem poderosa mão de Deus. Amém!

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/decretos-de-deus/estudos-na-confissao-de-fe-de-westminster-dos-eternos-decretos-de-deus-parte-ii-joao-ricardo-ferreira-de-franca.html#ixzz1GBtm6Kix
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