Estudos na Confissão de Fé de Westminster: Dos Eternos Decretos de Deus – Parte I

João Ricardo Ferreira de França

Seção I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.
Referências bíblicas: Isa. 45:6-7; Rom. 11:33; Heb. 6:17; Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5; Mat. 17:2; João 19:11; At.2:23; At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34.

Introdução:

Chegamos a mais um capítulo de nossa Confissão de Fé de Westminster. Aqui nos seremos desafiados pelo conceito fundamental da soberania de Deus, conceito este que está longe dos púlpitos da atualidade. A doutrina enunciada aqui nesta seção é umas das verdades que mais traz consolo ao coração da Igreja de Cristo.

A nossa aula hoje abordará a questão dos eternos decretos de Deus. Um assunto que demanda de nós uma atenção singular para o nosso crescimento de nossa vida cristã – esta é uma doutrina cardinal da Igreja de Cristo.

O que nos ensina esta seção de nossa Confissão de Fé de Westminster? Que verdades bíblicas nós podemos extrair daqui para as nossas vidas?

I – A Eternidade do Decreto

A nossa confissão de fé respaldada pela Bíblia nos ensina que o Decreto de Deus é eterno. Isto porque Deus é eterno. É isso que nos ensina a Palavra revelada em Isaías 45.6 e Romanos 11.33.

O criador de todas as coisas não dependeu de ninguém para ser o que ele é, não houve ninguém que o trouxesse à existência, pois, ele é Deus eterno, e na eternidade idealizou, planejou e arquitetou o seu decreto sobre a sua criação.

II – As Características do Decreto de Deus

Que características possuem o decreto de Deus? Esta é a próxima pergunta que devemos fazer ao lermos esta declaração que temos diante de nós. Isto é importante porque sem as características dos decretos não poderíamos conhecer o propósito e o alvo do decreto. Notemos o que diz a declaração de fé da Igreja:

  1. É um decreto “sábio”: Sabedoria é um atributo que cabe muito bem em Deus. Os decretos de Deus “são chamados de ‘seus conselhos’ para significar que são consumadamente sábios” (PINK, 1997, p.15). Deus planejou toda a história humana de forma sábia onde ele será glorificado (Romanos 11.33).
  2. É um decreto “Santo”: A confissão de fé, com base na Palavra de Deus, declara que todos os intentos de Deus são santos – isto porque tanto a sabedoria e a santidade do decreto estão vinculados a vontade do Criador de todas as coisas (Efésios 1.11).
  3. É um decreto livre: Isto quer dizer que Deus não foi constrangido a fazer nada do que fez por alguma razão fora dele mesmo. Deus, e somente Deus é livre neste mundo. Ele faz as coisas porque ele assim deseja, ele assim o quer, ele é soberano, então, a primeira implicação da doutrina dos decretos é que Deus é plenamente soberano e livre; ele faz tudo sem consultar o homem pecador (Romanos 11.34-35).
  4. É um decreto Imutável: Significa que Deus ordena, decreta e planeja tudo de forma inalterável, seus projetos não podem ser frustrados (Jó 42.2).

III – O Decreto de Deus e tudo o que ocorre neste mundo

A confissão reconhece que tudo o que existe neste mundo de bom e de ruim está vinculado ao decreto de Deus. Ele cria tudo, faz tudo existir, Deus não é pego de surpresa. Tudo o que ocorre no mundo está sob o controle do decreto absoluto e eterno de Deus (Isaías 45.6-9).

Deus ele cria o bem e faz o mal, ele sim faz todas as coisas, ele governa a menor partícula de átomo deste mundo, ninguém pode questionar a sua autoridade soberana (Daniel 4.35) – somos como que barro nas mãos do oleiro e de nós ele fará aquilo que ele deseja. Nada neste mundo ocorre sem que a sua vontade autorize ou execute – ele “ordena todas as coisas livre e inalteravelmente”, este é o ensino da Bíblia sagrada.

IV – O Decreto de Deus não O torna praticante do pecado

A nossa confissão de fé declara que “Deus não é o autor do pecado” isto significa que Deus não pratica o pecado, ele não faz o mal, e não tem prazer no mal, Deus não vive pecando – o fato de Deus ordenar tudo o que ocorre, inclusive o pecado, não o torna responsável pelos atos pecaminosos de suas criaturas.

Por quê? A resposta é que ele é um Deus que ama a justiça, a equidade, o direito e a santidade; e, Deus não pode ser o responsável pelo pecado humano – ou seja, responsabilidade está ligada à ideia de se responder a alguém superior – E Deus não tem ninguém acima dele a quem ele deve responder. Tudo o que é bom que emane dele somente (Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5).

V – O Decreto de Deus e a responsabilidade do homem

A Confissão de Fé reconhece que o decreto não anula a responsabilidade do homem, antes a confirma como verdade clara da palavra de Deus, pois, eles sim precisam responder a um superior – O Deus das Escrituras (At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34.).

Destes texto aprendemos que apensar de Deus executar seu decreto, todavia, a maldade dos homens será punida de forma clara.

As causas secundárias estão sob o controle de Deus (Provérbio 16.33) toda a decisão procede do Senhor.

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/decretos-de-deus/estudos-na-confissao-de-fe-de-westminster-dos-eternos-decretos-de-deus-parte-i-joao-ricardo-ferreira-de-franca.html#ixzz1GBuZi722
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