A Perseverança dos Santos

Duane Edward Spencer

Em suas afirmações, os arminianos ensinam que a pessoa salva “pode decair da graça” e, portanto, pode perder a salvação uma vez adquirida. Desde que o ato de fé, para a salvação, depende da vontade do homem, há a possibilidade de a fé deixar de ser contínua e de o pecador cometer algum pecado digno de condenação, e, assim, por sua própria vontade, ele pode rejeitar a Deus e voltar-se para seu velho mestre — o Diabo! Essa, naturalmente, é a única conclusão lógica a que pode chegar alguém que defende os quatro primeiros pontos do arminianismo, e os ‘brilhantes’ estudantes dessa doutrina sabem disso!

Os calvinistas ensinam que os santos, também conhecidos como eleitos, nunca podem perder-se, uma vez que a salvação deles é assegurada pela imutável vontade do Deus onipotente! Uma vez que nenhuma condição, da parte do homem, determina sua escolha — visto que as Escrituras ensinam que a eleição é incondicional —, não há razão para o homem salvo temer a perda da salvação, pois quem o salva é a graça de Deus. Certamente, raciocina o calvinista, se é da vontade de Deus que eu seja salvo — e a vontade de Deus é imutável —, eu sou alcançado pela salva­ção, permaneço nela e vou para o céu, porque essa é a vontade de Deus!

“Pois, segundo seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias de suas criaturas” (Tg 1.18).

Assim, deparamo-nos com duas posições diametralmente opostas. Uma está baseada no raciocínio da mente carnal (que é sempre inimiga de Deus); a outra se constitui num fato baseado na Escritura. Consideremos, portanto, o que a Bíblia diz:

“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).

Portanto, Deus, que é o Autor da “boa obra” (que ele começou no eleito, e não o homem), “quer realizá-la (tempo verbal contínuo, ou manter em realização a obra no santo) até ao dia de Cristo Jesus”, quando os eleitos receberão corpo ressurreto e sem pecado! Portanto, essa “boa obra” é dele e não nossa! Por isso, Paulo diz ainda aos cristãos de Filipos:

“Pois nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo de sua glória, segunda a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas coisas” (Fp 3.20-21).

Observe-se a quem o Pai deu “todo poder”, de modo a torná-lo capaz de submeter “todas as coisas a si mesmo”. Deu “todo poder” a nosso Rei-Salvador, que há de retomar! Ele é o glorio­so de quem as Escrituras dizem:

“… lhe conferiste autoridade sobre toda carne, afim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” (Jo 17.2).

Dará vida eterna a quantos? A quem? O Filho de Deus afirma também nos mais incisivos termos:

“E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o res­suscitarei no último dia” (10 6.39).

Que diz sua Bíblia? Perder-se-ão alguns dos que o Pai deu ao Filho? Ou não se perderá nenhum dos que o Pai lhe deu? Se é evidente que a salvação é do Senhor, é evidente também que, uma vez salvos pelo poder de Deus, estão salvos para sempre! Nada temos de fazer, absolutamente, para “receber a salvação”, e nada temos de fazer também, absolutamente, “para conservar a salvação”, porque a salvação nos é dada ela graça de Deus, e não pela vontade vacilante do homem! Notemos as palavras de Deus, o Filho:

“Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará de minha mão” (Jo 10.28).

Quanto tempo dura a salvação que Deus nos dá por sua própria vontade? Poderá perecer a ovelha eleita pelo Bom Pastor? De quem são as palavras que citamos neste último versículo? Do homem ou de Deus? Por que será que alguns se baseiam em passagens não muito claras, nas Escrituras, para tentar anular passagens super claras? Pode ser porque se recusam a ter a salvação pela soberana graça de Deus, ou porque querem ter a salvação obtida por suas próprias obras de fé. 

Vejam-se as palavras de Pedro ditas quando ele estava sendo dirigido e controlado pelo Espírito Santo. Para ele, os eleitos eram destinados

“… para serem herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pe 1.4-5).

Não é, pois, de maravilhar que Paulo tenha cantado exultantemente:

“… porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar meu depósito até àquele dia” (2 Tm 1. 12).

Confira esta passagem com João 17.11.

Somos predestinados para o céu, porque Deus nos elegeu para a glória! É por isso que Paulo assegura aos Tessalonicenses:

“… para o que também vos chamou mediante nosso evan­gelho, para alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Ts 2.14).

Os céus são nosso lar e a glória daquela habitação celestial é nossa herança, porque Deus assim quis por meio de sua graça! Eis o que Paulo nos diz:

“… nele (em Cristo), digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho de sua vontade” (Ef 1.11).

“… o que Israel busca, isso não conseguiu; mas a elei­ção o alcançou; e os mais foram endurecidos” (Rm 11.7).

“… por isso que Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2 Ts 2.13).

É não pequena maravilha Paulo — sabendo que o Criador onipotente fez dele objeto de seu amor — dizer ousadamente:

“O Senhor me livrará também de toda obra maligna, e me levará salvo para seu reino celestial” (2 Tm 4.18).

Não pequena maravilha é Judas escrever aos eleitos de Deus:

“Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo” (Jd 1).

Não pequena maravilha é Paulo orar confiadamente pelos santos de Tessalônica:

“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Ts 5.23-24).

Quem é que preserva os crentes “imaculados” até que ele venha? Quem é que é fiel? Quem é que faz o maravilhoso trabalho de santificar e guardar? É nosso Senhor Jesus Cristo, natu­ralmente! Os santos perseveram, porque ele persevera. Não so­mos guardados em pedaços ou em partes, mas somos guardados completos, íntegros: “Espírito, alma e corpo”. Ou, como diz Judas no fim de sua vigorosa Epístola:

“Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante de sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém” (Jd 2-25).

Sim, os santos perseverarão porque o Salvador declara que quer perseverar em favor deles, e quer guardá-los! Se a perseverança depende do homem volúvel, com sua pecaminosa natureza decaída, então ele não tem esperança. A perseverança dos santos depende da graça irresistível que nos é assegurada porque Cristo morreu por nós, uma vez que a expiação que temos, por seu sangue, é limitada aos eleitos. Essa eleição, graças a Deus, não está baseada em qualquer condição de bem pré-conhecido em nós, pois “bom não há sequer um!”. Pela graça de Deus, a eleição é incondicional e não se pode encontrar nenhuma condição por parte do homem, visto que ele é totalmente depravado, isto é, totalmente incapaz de exercer boa vontade para com Deus, totalmente impotente para, por isso mesmo, alcançar a vida ou, por sua livre vontade, totalmente incapaz de livrar-se do super poder do deus da morte!

Fonte: TULIP – Os Cinco Pontos do Calvinismo à Luz das Escrituras, Edições Parakletos, 2º Ed., 2000.

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/perseveranca-dos-santos/perseveranca-dos-santos-duane-edward-spencer.html#ixzz0ejSV3Y9h
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